Muitos empreendedores têm a ideia de que podem acelerar o processo de amadurecimento das startups injetando ativos para impulsionar o negócio. Programas de aceleração envolvendo inovação estão associados, geralmente, a um plano estratégico desenvolvido junto às startups, através de uma rede de apoio formada por executivos e gestores que direcionam o negócio para um crescimento certo e lucrativo.


O que se questiona é se as empresas estão prontas para inovação no estágio em que se encontram ou se acaba por haver um conflito entre cultura e novas medidas.


José Augusto Albino é empresário no ramo de Fundos e Investimentos há mais de quinze anos, atuando como sócio diretor da CRP Companhia de Participações. Ele explica como realizar investimento em startups pouco maduras, conforme os cuidados necessários com relação à inovação na entrevista concedida para o podcasts CorpUp Talks.


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José esclarece que as empresas precisam se modernizar, especialmente num contexto onde existe uma grande crise de mercado e o boom das startups chegou para revolucionar.

“O time interno, gestores de infraestruturas e de grandes contratos, busca inovação incremental enquanto o time externo se volta para novos mercados e novos produtos. Entretanto, é necessário desenvolver a empresa internamente e estruturá-la para entregar mais do que o produto final para o cliente.” Afirma o executivo.

“É preciso participar de cursos de métodos, estrutura por squad, split de desenvolvimento para ter metodologia de gestão. Fico surpreso quando vejo uma empresa grande discutindo isso enquanto minhas startups em fase de maturação já fazem isso há algum tempo.” Complementa.


Fases de maturação de uma startup

As startups têm um processo de maturação que passa por várias etapas de desenvolvimento. O momento da aquisição se uma startup é uma oportunidade que foi identificada. Uma solução inovadora que resolve uma demanda do mercado de forma diferenciada.


Após a implementação estratégica de gestão e gerenciamento, é hora de planejar quais serão os recursos utilizados no modelo de negócio e angariar os investimentos necessários para tal.


A fase de lançamento oferece ao mercado o produto que o mercado pede.

“Não adianta ter o melhor produto, é necessário ter o melhor produto que o mercado quer, que você consegue entregar para o mercado da melhor maneira e no melhor preço. Portanto, não adianta o seu produto ser uma Ferrari se o mercado quer comprar Kombi”, Explica José Augusto.


Os resultados da fase anterior são determinantes para decidir se a empresa tem potencial de crescimento ou não, decretando a sua continuidade ou encerramento das suas atividades.


Tempo de amadurecimento das Startups

De acordo com dados do Censo StartSe e informações publicadas em matéria do site da Exame, o tempo médio de maturação de uma startup fica entre dois a cinco anos.


Das 779 startups estudadas, 2,4% delas está na fase de formulação de ideias e produtos. 36% está no estágio do posicionamento de mercado e 20% na fase escala, de definição de clientes e crescimento acelerado.


Para José Augusto, as empresas estão apostando em grandes centros de inovação com tudo, mas o grau de maturidade da empresa faz grande diferença.

“Não tem fórmula mágica, cada empresa e cada negócio tem suas questões de cultura. Uma cultura muito tradicional pode ser reativa a coisas novas, mas se for muito devagar, nada vai acontecer”. Explica.


Para solucionar tal impasse, José Augusto complementa:

“Tudo leva tempo, é preciso começar devagar, mas o principal é criar grandes evangelizadores do projeto.” Para isso, José recomenda que se recrute pessoas de cabeça aberta, de dentro ou fora da empresa. Além do investimento em agendas de cursos que motivem a criação de coisas novas.


Histórico no Brasil

De acordo com o empresário, esse processo de crescimento de startups não se deu recentemente:

“Essa conexão de empresa com startups, apesar de ser um tema em ebulição agora, vem de muitos anos atrás e isso deu muito dinheiro nos anos 2000. Por vários motivos, esse mundo ficou congelado e agora está voltando muito forte com discussões sobre Corporate Venture, inovação em grandes corporações e a aproximação de startups”.


O tempo médio de maturação de uma startup é relativo e não está relacionado com o processo de inovação que irá ser implementado. Cada uma delas passa por estágios de maturação por um determinado tempo de acordo com suas características próprias.


Com base no seu ciclo de vida, pode-se prever que a maturação vem com o crescimento das startups, mas pode gerar lucro a partir do momento do lançamento no mercado e atração dos investidores.

“O mundo está mudando e as corporações têm que mudar. Tem que chacoalhar se você quiser os melhores funcionários e as melhores áreas do negócio. Esse novo mindset de Corporate Venture e inovação corporativa pode contribuir para o crescimento de todo mercado.” Alerta José Augusto.


E então? Identificou o estágio de maturidade em que se encontra a sua empresa? Quais são as inovações possíveis que se encaixam na sua estratégia de negócio? Como observamos, o líder da unidade de Venture Captor da CRP, José Augusto, recomenda começar.


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