Empresas tradicionais investem em labs como estratégia de transformação digital


Uma equipe de profissionais da mesma área se reúne para discutir ideias, elaborar um planejamento e vislumbrar um projeto que pode contribuir para os negócios da empresa. Até aí nada de novo, não fosse o fato de que todos os colaboradores pertencem ao mesmo campo de atuação. É assim que ocorre nas organizações tradicionais. E o que há de errado nisso?

A prática é comum e por muitos anos funcionou. Os técnicos de áreas têm a mesma lógica de raciocínio e enxergam o problema do ponto de vista desse recorte, as argumentações se parecem e, por consequência, os problemas apontados tendem a ser similares e as soluções pensadas do mesmo modo.

Apesar dessa abordagem ter até funcionado por muitos anos, há uma problemática: além da visão se limitar àquela área de atuação, ela se fecha em possibilidades para uma visão mais ampla, de alcance geral, e de diálogo com outros setores do negócio.

E mais importante, considerado o momento de transformação tecnológica que vivemos: essa visão não se encaixa no campo abrangente e interativo da inovação, que requer ideias novas, criativas e viáveis, e uma equipe técnica preparada para responder o que é possível de ser executado ou não, de que forma e a que custo.

Uma tendência de mercado para a transformação digital dentro das empresas, é, portanto, montar um time multidisciplinar completo, para discussão de ideias, elaboração de planos, execução, e metas, tudo isso com o aparato dos especialistas das mais diversas áreas, ali preparados para darem a suas opiniões técnicas e se apoiarem mutuamente.  


Equipe multidisciplinar

Mas como vou entender a linguagem do profissional de outra área? O segredo está aí. Ao reunir colaboradores com experiências e conhecimentos diversos, serão mobilizadas diferentes crenças e motivações em prol de um único propósito: criar soluções para problemas, que perpassam por todos os setores. Algo indispensável, uma vez que quando um não faz a entrega corretamente, as consequências chegam para todos.

Por isso, é importante que a equipe tenha clareza do processo por que passa a empresa. É o caso de Silvia Folster, CEO da Cianet, companhia de Florianópolis (SC) que desenvolve e comercializa tecnologias e produtos para operadores de internet e TV há mais de 25 anos.


A partir de um olhar sobre o crescimento de 21,5% em 2015 na base de pequenos e médios assinantes da empresa, Silvia resolveu dar início a um processo na Cianet de apoio aos clientes na profissionalização de sua gestão e dispor melhor seus investimentos em tecnologia e na expansão da base de assinantes.

“Entender o momento de expansão do mercado e necessidade de novas tecnologias para os provedores se manterem competitivos é essencial. Para ajudá-los, implementamos um núcleo de inovação seguindo a metodologia de ‘Customer Development’, que foi disseminada na empresa por meio de times multidisciplinares”, explica Silvia.

E completa: “A gente mostra que a inovação não é uma sala com post it colorido. A gente pode inovar em modelo de negócios, em gestão, no próprio uso de dados internos. Por isso, a gente começou a trabalhar inovação para que eles sentissem a inovação, todo mundo, de ponta a ponta, em todos os setores”.


Opiniões de áreas distintas

E será que, para aquele determinado problema, só existe uma solução? Com uma equipe multidisciplinar qualificada, cada um verá a resolução de um ponto de vista diferente. Esta troca, conforme pensa Cianet, vai enriquecer o trabalho e expandir a visão do outro que, possivelmente, tem um raciocínio voltado para o aspecto específico da sua profissão.

“Montamos um time multidisciplinar. Ali, nós temos um desenvolvedor UX, pessoas de negócios, especialistas de dados, inteligência artificial, mas que estão treinando os robôs para nossas iniciativas. Então esse é um time multidisciplinar e a gente tenta trabalhar em squads. Portanto, se eles têm um problema, o time inteiro se move para resolver esse problema”, conta.


Laboratório de ideias

E como começar? Para isso, as empresas devem investir em espaços de tamanho adequados, onde grupos possam ser subdivididos. Tudo isso com design moderno e colorido, quadros em branco e elementos que ativem a criatividade. Neles, os problemas são postos e cada pequeno time pensa soluções que possam gerar efetivo resultado.


Após a criação, elabora-se o produto – aquele mais viável para ser testado – depois o protótipo e, por fim, a validação do projeto. As fases seguintes: crescimento e implantação são realizados pelo setor de Tecnologia da Informação (TI). É nesse último processo que chega o cliente final que vai viver a experiência do novo produto ou serviço.


Resultados

A ideia do lab é que ele seja especialmente voltado para a criação e, com o decorrer do tempo, aumente o desempenho da organização nesse aspecto. Desse modo, entregando soluções mais eficazes e transformando, com isso, o perfil da instituição. Conforme conta Silvia, nesse espaço, você tem como aprimorar, encontrar o gargalo e começar a trabalhar a partir dele, ou criar outro processo.

“Quando começamos a inovação aqui, de verdade, tínhamos aquela ideia de desenvolver um ciclo inteiro. A gente até teve uma ideia interessante saindo um pouquinho de infraestrutura que era um software, que resolvia certos problemas, eram ideias fantásticas. Só que daí, nesse modelo de desenvolvimento, de ter que desenvolver todo um produto para lançar, perdia o time. Então eu comecei a pegar pelo que a gente estava perdendo e não pelo que a gente ia ganhar”, explica.


A metodologia lab tem sido o caminho adotado, principalmente, por grandes organizações que pretendem migrar para o digital e inovar processos e negócios. Uma vez que tem apresentado resultados significativos, ela tem sido experimentada cada vez mais por investidores tradicionais.

“O lab é aquilo que me seduz. Todo o restante (não que isso não me seduza) mas o que a gente tem o domínio maior é muito mais previsível. O lab é o que me move a aprender, a buscar leituras diferentes, experimentos diferentes, outras áreas que estão inovando. Através dele começo a conhecer outras coisas”, conclui Silvia.


E então, você gostou desse conteúdo? Tem o desejo de montar uma equipe multidisciplinar na estratégia de inovação do seu negócio? Para mais informações, cadastre seu e-mail abaixo e continue nos acompanhando para mais conteúdos como esse!