A capacidade de se reinventar e de gerar soluções originais é hoje um ativo de mercado. E no cenário dinâmico trazido pelas transformações digitais, ter agilidade nos processos e habilidade de somar conhecimentos é um imperativo para o aumento da produtividade e, consequentemente, para o sucesso de uma organização.


Como resultado disso, é crescente o número de empresas que investem em inovação aberta, combinando intencionalmente recursos próprios com aqueles oferecidos por parceiros externos.


São exemplos bastante conhecidos disso as parcerias em pesquisa e desenvolvimento entre indústria e o meio acadêmico, projetos compartilhados entre empresas, e campanhas de crowdsourcing – em que as corporações lançam desafios para os quais startups e instituições científicas possam propor soluções.


Entretanto, além dos tradicionais mecanismos de inovação aberta, uma tendência que tem ganhado força entre as grandes corporações no Brasil, é a criação de hubs de inovação.


Hubs de Inovação

Hubs de inovação se caracterizam por espaços físicos propícios para o encontro de pessoas que interagem e, consequentemente, criam, empreendem, trabalham e inovam juntas, em rede.


Em virtude disso, esses espaços oferecem um ecossistema com infraestrutura (auditório, salas de reunião, cafés) para todas as atividades.


A palavra “hub” se refere na linguagem tecnológica a uma peça central, que recebe os sinais transmitidos pelas estações e os retransmite para todas as demais.


Os ecossistemas de inovação referem-se a uma rede interconectada de empresas e outras entidades, que desenvolvem de forma compartilhada um conjunto de tecnologias, conhecimentos ou habilidades, trabalhando cooperativamente para desenvolver novos produtos e serviços.


Entre as suas muitas características, um hub de inovação costuma reunir nove elementos que merecem destaque:

  1. Infraestrutura física e de serviços;
  2. Educação;
  3. Atividades de pesquisa e desenvolvimento;
  4. Programas e políticas de fortalecimento de clusters;
  5. Espaços colaborativos para testes e living labs;
  6. Incubadoras de empresas;
  7. Startups;
  8. Pequenas e médias empresas;
  9. Grandes âncoras empresariais.


Por que investir?

Nos últimos anos, grandes empresas em diferentes segmentos criaram redes globais de parceiros ou ecossistemas, para aumentar o alcance de mercado e variedade de seus produtos, serviços e tecnologia.


A busca de parceiros inovadores capazes de fortalecer a proposta de valor de uma grande empresa também é um fator determinante para a escolha de parcerias, assim como o atendimento de demandas específicas de mercado.


Em um dos nossos mais recentes episódios do CorpUpTalks tivemos a oportunidade de entrevistar Gabriela de Salles van der Linden, a atual responsável pela plataforma Open D’Or Healthcare Innovation Hub, uma plataforma de empreendedorismo e inovação aberta que oferece conexões, mentorias e treinamentos para Startups selecionadas, conectando-as com a área de saúde e atores do ecossistema.


Clique aqui se deseja conhecer esta entrevista na íntegra


O Open D’Or Hub é uma iniciativa do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), e é uma plataforma que desenvolve parcerias com universidades, área de inovação de outras empresas e institutos de pesquisa na área de saúde e tecnologia. Não somente isso, com sede no IDOR e atuação conjunta ao setor de Transformação Digital da Rede D’Or São Luiz (RDSL), o Open D’Or é responsável pela conexão entre startups inovadoras e os negócios da rede.


Além disso, a sua plataforma também dispões de um Living Lab, um simulador de ambiente hospitalar que permite às startups testarem suas soluções de forma segura e supervisionada por profissionais da área, além de ser um espaço de cocriação e demonstração de novas aplicações.


O termo living lab refere-se a um ecossistema de inovação aberta que muitas vezes opera em um contexto territorial – uma cidade ou região, por exemplo. Esses laboratórios são mecanismos que possibilitam que os interessados formem parcerias pessoais-público-privadas (4Ps). Isso envolve desenvolvedores e usuários finais em um processo de cocriação de inovações em diferentes contextos de trabalho.

“Inauguramos o Open D’Or há pouco mais de 1 ano, em setembro de 2018. Começamos a trabalhar nessa iniciativa no início de 2018, o primeiro semestre foi de estudo, discussão e literalmente tirar do papel a ideia, construir um espaço, fazer um primeiro mapeamento de startups, fazer um primeiro diagnóstico e validação de como a iniciativa ia interagir com as unidades e com o corporativo. O segundo semestre teve uma evolução já do próprio grupo de criar uma área de transformação digital, isso claramente facilitou muito nossa vida. A partir de então, o Open D’Or começou a fazer parte da estratégia de transformação digital da companhia. Isso nos deu um direcionamento muito mais claro, para onde seguir.”, conta Gabriela


Um hub representa as vocações de seu ecossistema, as vocações de sua cidade e região. Como resultado disso, acaba sendo uma representação da cultura de sua cidade, das pessoas e lideranças locais, das empresas que têm presença lá, do estilo e filosofia de vida, de sua história e de seus centros de pesquisa. Cada região tem o potencial de estruturar um hub de inovação, com variação de porte, nicho e parceiros.


Como estruturar

Estruturar um hub de inovação é um mergulho de autoconhecimento em seu ecossistema. Afinal, trata-se de um trabalho de articulação, de estabelecimento de parcerias e conexões que criam esse ponto de encontro em uma região. Quanto mais inclusivo e aberto for o hub, melhor representado estará o ecossistema.


Gabriela relata o cenário precedente à iniciativa:

“Antes do Open D’Or não existia nenhuma iniciativa estruturada para criar conexão no grupo com startups ou desenvolver projetos com parceria.  Já havia sim, contratado alguma startup, já tinha feito alguma colaboração com universidade, mas não tinha estratégia, não tinha um programa estruturado para isso.


Além das oportunidades de negócio, a proximidade com um ambiente de inovação traz como benefício a renovação da cultura da empresa. Os empregados podem absorver uma mentalidade mais empreendedora ao interagir com as startups, o que é essencial para a empresa permanecer continuamente se reinventando.

“O que a gente se surpreendeu muito foi o interesse, a quantidade de boas ideias que a companhia tem dentro de casa. Aos poucos a gente acha que dá para ir construindo um ambiente de inovação bem diversificado, trabalhando não só com startups, mas também olhando para parceiros, universidades, o ecossistema como um todo. E olhando para dentro, olhar para iniciativas, criticar ideias dentro de casa, o que não é nada trivial. Uma empresa que tem 50 mil funcionários, unidades hospitalares em diferentes locais, não é algo que achamos que vamos fazer de um dia para o outro, vamos aos poucos e o importante é ter a visão e ter um plano para ir trilhando.”


Entre os impactos positivos que um hub de inovação pode proporcionar, destacam-se:

  • Apoiar as startups na estruturação de seu negócio e em sua conexão com clientes e investidores. O que contribui para aumentar a taxa de sucesso dos pequenos empreendimentos inovadores;
  • Auxiliar na geração de empregos qualificados;
  • Facilitar a criação e exploração de novas tecnologias e modelos de negócio;
  • Fomentar um ambiente empreendedor mais inclusivo.

Por fim, Gabriela resume os ganhos dessa experiência: “O resultado disso é que fizemos mapeamento com mais de 300 startups. Selecionamos aquelas startups que tinham maior alinhamento com nossa estratégia de marketing e de transformação digital e esse ano de 2019 foi o primeiro ano de fazer acontecer, de tirar os projetos do papel e mostrar os primeiros resultados. Um primeiro ciclo de startups mapeadas e 4 projetos fechados.”.


E então, você gostou desse artigo? O que acha da iniciativa de investir em um Hub de Inovação? Entre em contato com um de nossos consultores para mais informações e continue nos seguindo para mais conteúdos como esse!